Alga Marrom no Aquário: Como Acabar com as Diatomáceas

Vidro e rocha de aquário cobertos por alga marrom diatomácea

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A alga marrom no aquário costuma aparecer do nada, cobre o vidro em dois dias e assusta quem acabou de montar o aquário. Você limpa tudo no domingo, na quarta está marrom de novo, e a sensação é de que alguma coisa muito errada está acontecendo com a sua água.

Na maioria dos casos não está. Aquela poeira marrom é uma etapa previsível do amadurecimento de um aquário novo, e a atitude que resolve é quase o oposto da que a gente tem vontade de tomar.

Em resumo: a alga marrom do aquário é uma diatomácea, um organismo unicelular que monta uma carapaça de sílica e se alimenta de silicato dissolvido na água. Ela aparece entre a primeira e a terceira semana de um aquário novo, cobre vidro, substrato e folhas com uma camada que sai fácil ao toque, e some sozinha em algumas semanas, quando as algas verdes ocupam o lugar dela. Você acelera o processo sifonando, mantendo a luz constante e tendo paciência. Algicida não funciona nela.
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O que é a alga marrom no aquário?

A alga marrom no aquário é uma diatomácea, e tecnicamente ela nem é uma alga como a gente costuma pensar. Diatomácea é um organismo unicelular que constrói ao redor de si uma carapaça de sílica, o mesmo material do vidro. É essa carapaça que dá o aspecto de poeira, e não de fio ou de tapete.

Dá para identificar pelo tato antes de qualquer outra coisa. A diatomácea sai com um passar de dedo no vidro e levanta uma nuvem na água. Alga verde de ponto gruda e precisa de raspador. Alga barba negra fica presa na folha e não sai nem puxando. Se a sua sujeira marrom desmancha ao toque, é diatomácea.

Elas não são um bicho exótico do seu aquário. Segundo a Britannica, existem mais de 16 mil espécies descritas de diatomáceas, e elas estão em praticamente toda água doce e salgada do planeta. O NOAA lembra que o fitoplâncton, grupo do qual as diatomáceas são parte central, responde por uma fatia enorme da produção de oxigênio da Terra. Você não trouxe elas para dentro de casa: elas já estavam na água, no substrato e na planta que você comprou.

O que muda é a oportunidade. Num aquário maduro elas existem em número que você não enxerga. Num aquário novo, elas encontram a mesa posta e ninguém competindo.

Por que a alga marrom aparece no aquário novo?

A alga marrom aparece no aquário novo porque ela é a primeira da fila. Diatomácea cresce em condições que ainda travam as algas verdes: pouca luz aproveitável, nutrientes desorganizados e, principalmente, silicato livre na água.

O silicato entra no seu aquário por três caminhos, e normalmente pelos três ao mesmo tempo:

  • Água de torneira. Água tratada brasileira carrega sílica dissolvida em quantidade que varia muito por região. É a fonte principal.
  • Substrato e areia novos. Areia, cascalho e substrato fértil liberam silicato nas primeiras semanas de uso.
  • Rocha e decoração. Rochas siliciosas soltam um pouco ao longo do tempo.

Junte isso a um filtro que ainda não tem colônia bacteriana estabelecida e a plantas que ainda estão se adaptando em vez de consumir nutriente, e você tem o cenário perfeito. A diatomácea não está invadindo, ela está preenchendo um vazio. Por isso é tão comum ver a poeira marrom logo depois que a água turva do aquário novo finalmente clareia: uma fase entrega a outra.

Esse é o motivo de a diatomácea ser tão associada ao fim da ciclagem do aquário. Ela costuma pintar exatamente quando o aquarista acha que já passou pela parte difícil.

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A fase da alga marrom assusta porque ninguém avisa que ela vem. Um curso completo de aquarismo mostra a sequência inteira de amadurecimento do aquário, para você saber o que é problema de verdade e o que é só o aquário fazendo o trabalho dele.

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Quanto tempo dura a alga marrom?

A alga marrom dura de duas a seis semanas na maioria dos aquários de água doce. Ela aparece entre a primeira e a terceira semana depois da montagem, atinge o pico rápido e depois começa a rarear sem que você precise fazer nada de diferente.

O que encerra a fase não é a morte da diatomácea, é a concorrência. Conforme o silicato acessível vai sendo consumido e o aquário amadurece, as algas verdes e as plantas passam a aproveitar melhor a luz e os nutrientes disponíveis. A diatomácea perde a vantagem e é empurrada para o canto.

Fase do aquárioO que você vêO que fazer
Semana 1 a 2Água turva ou vidro limpoTerminar a ciclagem, não colocar bicho
Semana 2 a 4Poeira marrom no vidro e no substratoSifonar e limpar o vidro, manter a rotina
Semana 4 a 8Marrom rareando, verde fino nos cantosNada de novo, a virada está acontecendo
Depois de 8 semanasMarrom persistenteAí sim investigar luz, silicato e manutenção

Meu primeiro aquário, o de 60 litros que montei em 2008, passou por três fases e eu achei que cada uma delas fosse o fim do mundo. Primeiro a água turva. Depois, quando ela finalmente clareou e eu estava me achando o maior aquarista de Curitiba, o vidro amanheceu com uma poeira marrom. Em dois dias estava tudo coberto: vidro, cascalho, folha de planta, até o termômetro.

Eu raspava tudo no domingo e na quarta já estava marrom de novo. Comprei um algicida na loja, achando que era alga comum, e não fez absolutamente nada. O vendedor me disse para trocar a lâmpada. Troquei. Continuou.

O que resolveu foi eu parar de fazer coisa. Por volta da quinta semana, sem eu mudar nada, a poeira marrom começou a rarear sozinha e no lugar dela apareceu uma alga verde fininha nos cantos do vidro. Foi aí que eu entendi: a marrom não tinha sido derrotada, ela tinha sido despejada. As algas verdes tomaram o lugar dela quando o aquário amadureceu. Hoje, quando alguém me manda foto de vidro marrom em aquário de três semanas, eu já sei que o problema é ansiedade, não silicato.


Diatomáceas vistas ao microscópio com carapaça de sílica
Foto: Prof. Gordon T. Taylor, Stony Brook University / Wikimedia Commons (domínio público)

Como acabar com a alga marrom no aquário?

Para acabar com a alga marrom no aquário, o caminho é remover o que já cresceu e não alimentar o que vem. Você não mata diatomácea, você abrevia a passagem dela.

A rotina que funciona é esta, na ordem:

  1. Limpe o vidro antes de sifonar. Passe o raspador ou um limpador magnético em todas as faces. A poeira vai se soltar e ficar em suspensão, e é exatamente isso que você quer antes do passo seguinte. Existe também um modelo flutuante de limpeza dupla face, que não afunda se escapar da mão.
  2. Sifone o substrato na mesma hora. Um sifonador manual resolve. Tire junto a água da troca semanal, entre 20% e 30%, e leve embora a diatomácea solta em vez de deixar ela assentar de novo.
  3. Limpe as folhas com o dedo. Folha larga de anúbia e echinodorus acumula muito. Um passar de polegar com cuidado limpa sem rasgar.
  4. Mantenha a luz constante. De 6 a 8 horas por dia, sempre no mesmo horário. Diminuir a luz não mata diatomácea, e ainda atrapalha a planta, que é a sua aliada aqui.
  5. Segure a mão na ração. Menos comida sobrando é menos nutriente na água durante a fase mais frágil do aquário.

Repita isso na manutenção semanal e a fase encurta de forma visível. O que engana muita gente é achar que precisa fazer todo dia. Não precisa, e fazer demais atrasa a maturação do filtro.

Quando o silicato é o vilão de verdade
Se a alga marrom passou de dois meses e volta poucos dias depois de cada limpeza, vale atacar a fonte. Uma resina removedora resolve, e o Seachem PhosGuard é o mais comum no Brasil porque retira fosfato e silicato ao mesmo tempo. Ele vai dentro do filtro, em compartimento com fluxo de água. Em aquário novo na fase normal não é necessário, é só apressar o que o tempo já vai fazer.

O que não funciona contra diatomáceas?

Essa lista economiza dinheiro, porque quase todo mundo tenta pelo menos duas dessas coisas antes de descobrir que não adianta.

⚠️ Não perca tempo com isto:

  • Algicida. Produto de algicida é formulado para alga verde e clorofíceas. A diatomácea não responde bem a ele, e você ainda joga um químico num aquário que está tentando amadurecer.
  • Trocar a lâmpada. Luz nova não afeta diatomácea de forma relevante, e trocar no meio da fase só muda uma variável que estava estável.
  • Deixar o aquário no escuro por dias. Funciona bem contra água verde, que é alga em suspensão. Contra diatomácea o efeito é pequeno, e as plantas sofrem à toa.
  • Trocar 100% da água. Além de não resolver, joga fora a colônia bacteriana em formação e alonga a ciclagem, o que piora tudo.
  • Desmontar e recomeçar. O erro mais caro. Recomeçar do zero garante que você vai passar pela fase da diatomácea de novo, do começo.

Vale a mesma lógica de qualquer outro surto: antes de tratar, identifique. Um kit de teste de múltiplos parâmetros diz se você está diante de uma fase normal com amônia zerada ou de um aquário com problema real por trás. Se o objetivo é entender o quadro geral das algas, o guia de como acabar com alga no aquário cobre os outros tipos.

Quais animais comem alga marrom?

Diatomácea é uma das poucas algas que os comedores de alga realmente gostam, o que ajuda bastante. Só que colocar bicho no meio da fase tem uma armadilha: aquário novo ainda é instável, e otocinclus em aquário imaturo morre com facilidade.

AnimalCome diatomácea?Cuidado
OtocinclusSim, é o melhorSó em aquário com mais de 2 meses e maduro
Caramujo neritaSim, limpa vidro muito bemDeixa ovos brancos no vidro e na madeira
Camarão neocaridinaSim, pasta o dia inteiroSensível a aquário instável, entrar só depois
Camarão amanoCome, mas prefere outras algasMais resistente que a neocaridina

A regra prática é simples: não compre bicho para resolver a fase marrom. Compre bicho quando quiser bicho, no momento certo do aquário. A diatomácea vai embora com ou sem eles. Se você já pensa em povoar, os grupos de plantas fáceis ajudam mais nessa fase do que qualquer animal, porque competem por nutriente.


Caramujo nerita pastando alga no vidro do aquário plantado
Foto: Evan Baldonado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Alga marrom em aquário velho é sinal de quê?

Alga marrom em aquário com mais de seis meses não é fase de amadurecimento, é sintoma. Aqui vale investigar, porque alguma coisa devolveu à diatomácea a vantagem que ela tinha perdido.

As causas mais comuns, em ordem de frequência:

  • Luz fraca ou lâmpada velha. LED perde intensidade com os anos. Quando a planta deixa de aproveitar bem a luz, a diatomácea volta a levar vantagem. O guia de iluminação para aquário plantado ajuda a dimensionar isso.
  • Reposição só com água de torneira. A água evapora pura e o silicato fica, então cada reposição vai somando ao longo dos meses.
  • Filtro sujo ou com fluxo caindo. Menos circulação, mais zona morta, mais acúmulo.
  • Substrato saturado. Anos sem sifonagem no fundo criam bolsões de matéria orgânica.
  • Troca recente de mídia inteira do filtro. Zerar a colônia bacteriana devolve o aquário ao estado de aquário novo, e a fase se repete. Nessas horas, uma dose de Seachem Stability encurta a retomada.

Diferente do aquário novo, aqui a paciência não resolve sozinha. Corrija a causa e a diatomácea recua.

Perguntas frequentes sobre alga marrom no aquário

Alga marrom faz mal para os peixes?

Não. A diatomácea não é tóxica e não ataca peixe, camarão nem planta. Ela é feia e cobre a folha, o que atrapalha a fotossíntese se ficar espessa demais, mas não envenena a água nem consome oxigênio de forma relevante.

Como diferenciar alga marrom de cianobactéria?

Pelo cheiro e pela textura. A diatomácea é uma poeira que se desmancha na água e não tem odor. A cianobactéria forma um tapete que sai em placa inteira, costuma puxar para o verde-azulado e tem cheiro forte de mofo. São problemas diferentes com soluções diferentes.

Preciso trocar mais água por causa da alga marrom?

Não precisa aumentar a frequência. Mantenha a troca semanal de 20% a 30% que você já faria, e aproveite para sifonar logo depois de raspar o vidro. Trocar água demais atrasa a maturação do filtro e prolonga a fase.

Alga marrom aparece em aquário marinho também?

Aparece, e pelo mesmo motivo. No marinho ela costuma vir logo depois da ciclagem, cobrindo a rocha e a areia, e some quando a coralina e as algas superiores assumem. A água de osmose reversa reduz bastante o silicato de entrada.

Posso colocar peixe durante a fase de alga marrom?

Pode, desde que a ciclagem esteja concluída, com amônia e nitrito zerados. A alga marrom não é motivo para adiar o povoamento nem para apressá-lo. Quem manda é o teste de água, não a cor do vidro.

Água de osmose reversa evita a alga marrom?

Reduz bastante, porque tira o silicato da água de entrada, mas não elimina a fase. O substrato novo e a decoração continuam liberando sílica nas primeiras semanas. A diatomácea fica mais branda e passa mais rápido.

Se o seu aquário tem menos de dois meses e o vidro amanheceu marrom, você não fez nada de errado. Raspe o vidro, sifone o fundo na troca semanal, mantenha a luz no mesmo horário todo dia e deixe o aquário trabalhar. Marque no calendário a data em que a poeira apareceu: em quatro a seis semanas você vai olhar para trás e perceber que ela foi embora sem você ganhar a briga, e sim sem precisar brigar.

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